SISTEMA INTEGRADO DE MUSEUS DA SECRETARIA DE CULTURA DO ESTADO DO PARÁ - CRITÉRIOS E MÉTODOS DE SISTEMATIZAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA

 

MARIA ANGÉLICA MEIRA

Coordenadora da Equipe do Inventário
Diretora do Museu do Estado do Pará


     O Sistema Integrado de Museus do Estado do Pará – SIM foi criado na estrutura organizacional da Secretaria de Estado da Cultura – SECULT, em 1998, tendo como objetivo implementar a ação sistêmica de gerenciamento e articulação entre os Museus do Estado, respeitando sua diversidade e estabelecendo planos comuns de trabalho para o Museu de Arte Sacra, Museu do Estado do Pará, Museu da Imagem e do Som, Museu do Círio e Galeria Theodoro Braga, já implantados. Com a conclusão das obras do Projeto Feliz Lusitânea, prevista para Outubro de 2002, serão incorporados ao SIM o Sítio Histórico Forte do Presépio e o Espaço Cultural Casa das Onze Janelas Antonio José Landi.

     A realização do inventário do acervo dos Museus do SIM, de forma sistêmica, está vinculada à possibilidade de manuseio e visualização de dados gerais, no sentido de facilitar a efetivação das atividades e adequação das ações. Como metodologia de trabalho, à vista da grande extensão e diversidade dos acervos a serem inventariados, estes passaram, de acordo com sua natureza, a ser tratados e catalogados segundo padrões museológicos, arquivísticos e biblioteconômicos.

     Como instrumento para o processamento técnico do acervo de Artes Visuais optou-se por adotar o “Thesaurus para acervos museológicos”, de autoria das professoras Helena Ferrez e Maria Helena Bianchini, consistente instrumento de controle terminológico, referência para tantos outros museus em nosso país. Para facilitar o processamento e sua posterior identificação, dentro de cada unidade os objetos foram agrupados em Coleções, de acordo com a sua procedência.

     De modo a agilizar o processo de registro e tombamento e mais rapidamente serem levadas ao público informações gerais sobre as fontes primárias de pesquisa sob a guarda do SIM, optou-se por publicar, paralelamente ao andamento dos trabalhos de catalogação, os “Cadernos do Acervo” a partir do fechamento das Coleções. O primeiro número, lançado em 1999, vem trazendo o acervo pessoal do Governador Magalhães Barata, importante político paraense. O segundo, a ser lançado em Maio de 2002, relacionará o Acervo de Artes Visuais do Museu do Estado do Pará.

     Este trabalho, iniciado em 1998, a partir do ano de 2001 passou a contar com o apoio da Fundação VITAE, que nos garantiu a assessoria direta da Profa. Helena Ferrez e a informatização do acervo. Até o final do ano de 2002, deverão estar instalados novos e completos computadores nos Setores de Documentação de todos os Museus do Sistema e implantado o Programa DONATO, desenvolvido para o Museu Nacional de Belas Artes, também com o apoio da VITAE, e que agora está sendo atualizado.


     (*) Maria Angélica Meira. Especialista em preservação e conservação de bens culturais, arquiteta, atualmente diretora do Museu do Estado do Pará e coordenadora do Setor de Documentação do Sistema Integrado de Museus.

     ITAE, iniciamos em 2001 a informatização do documentação museológica a consultoria da Profa. Helena Machado Ferrez e a implantação do

     “O acervo é o coração do museu. Ele pulsa através da relação que estabelece com o público por meio de suas exposições. O museu não é só um depósito de objetos que devem ser preservados por seu valor estético, histórico ou científico, mas principalmente, por seu valor educacional.

     Para que cada objeto possa cumprir o papel de elemento comunicador, é necessário que o museu possua o maior número possível de informações a respeito de cada objeto/documento.”

     Para o desenvolvimento de qualquer atividade museológica consistente indispensável se faz a existência de um completo inventário e consequente tombamento de acervo. O Museu do Estado do Pará, apesar dos seus 15 anos de existência, não conta com este instrumento.

     Com um acervo eclético, colecionado ao longo dos anos e sem obedecer a uma política sistemática de aquisição, reúne peças de categorias, épocas e estilos diversos. O mobiliário, por exemplo, remonta em sua maioria do começo do século e é um legítimo representante da importância histórica do Palácio, que desde a sua inauguração, em 1771, até passar a abrigar o Museu do Estado do Pará, em 1994, funcionou como a sede do poder público estadual. Junto a este encontramos uma coleção de 400 peças de cerâmica maroajoara, armarias do séc. XVIII, luminárias em cristal, imaginária, fragmentos de construção e outros. Aos objetos do próprio Palácio juntaram-se, aos poucos, peças consideradas significativas e que encontravam-se em outros órgãos públicos estaduais como o Palacete Residencial, o Teatro da Paz, etc.

     Na categoria artes visuais temos a grande tela “A Conquista do Amazonas”, de Antonio Parreiras, de 1907, medindo aproximadamente 9 x 4 metros, coleções de retratos (Presidentes, Governadores), e um acervo mais moderno, resultado das exposições realizadas na antiga e na atual Galeria Theodoro Braga, nos Salões Paraenses de Artes Plásticas, além de uma coleção com 98 lâminas em aquarela do pintor Manoel Pastana, com motivos marajoaras. Exemplares estes representativos de trajetória das artes plásticas paraenses durante este século.

     Entre as diversas doações podemos citar aquelas que constituem as Coleções Carlos Gomes, Waldemar Henrique, Magalhães Barata, (com objetos pessoais dos citados personagens), e a Coleção Banco Central, constituida por obras de renomados artistas nacionais como Djanira, Volpi, entre outros.

     Com um acervo estimado em 5.000 peças, o Museu do Estado do Pará necessita dar início imediato ao processamento técnico de seu acervo, de modo a garantir sua salvaguarda e a desenvolver, eficientemente, suas atividades e assim atingir seus objetivos e cumprir suas funções.

2. Processamento técnico do acervo museológico:

- Identificação dos objetos -
- Registro Fotográfico -
- Medição -
- Classificação e denominação dos artefatos -
- Preenchimento do Livro de Registro -
- Elaboração dos fichários de consulta (técnico, onomástico e de localização) -
- Marcação das Peças -
- Tombamento -
- Publicação -

3. Consultorias especializadas - nas áreas de História, Mobiliário, Objetos de Interior, Museologia e outras, no momento em que se mostrar necessário, de acordo com a evolução dos trabalhos.

4. Documentação e Pesquisa do Acervo – Contratação de técnicos qualificados para desenvolver os trabalhos de pesquisa, abrangendo seus mais diversos aspectos:
- Levantamento de pesquisas e indicações existentes;
- Levantamento de bibliografia, iconografia, documentação, fotografias, etc.;
- Consulta a museus, colecionadores, antiquários, galerias, centros proodutores;
- Outros.

     “O acervo é o coração do museu. Ele pulsa através da relação que estabelece com o público por meio de suas exposições. O museu nao é só um depósito de objetos que devem ser preservados por seu valor estético, histórico ou científico, mas principalmente, por seu valor educacional.

     Para que cada objeto possa cumprir o papel de elemento comunicador, é necessário que o museu possua o maior número possível de informações a respeito de cada objeto/documento”.

     Para o desenvolvimento de qualquer atividade museológica consistente indispensável se faz a existencia de um completo inventário e conseqüente tombamento de acervo. O Museu do Estado do Pará, apesar dos seus 16 anos de existencia, nao conta com este instrumento. Com um acervo eclético, colecionado ao longo dos anos e sem obedecer a uma política sistemática de aquisiçao, reúne peças de categorias, épocas e estilos diversos.

     O mobiliário, por exemplo, remonta em sua maioria do começo do século e é um legítimo representante da importância histórica do Palácio, que desde a sua inauguração, em 1771, até passar a abrigar o Museu do Estado do Pará, em 1994, funcionou como a sede do poder público estadual. Junto a este encontramos uma coleçao de 400 peças de cerâmica marajoara, armarias do séc. XVIII, luminárias em cristal, imaginária, fragmentos de construção e outros. Aos objetos do próprio Palácio juntaram-se, aos poucos, peças consideradas significativas e que encontravam-se em outros órgãos públicos estaduais como o Palacete Residencial, o Teatro da Paz, etc.

     Na categoria artes visuais temos a grande tela “A Conquista do Amazonas”, de Antonio Parreiras, de 1907, medindo aproximadamente 9 x 4 metros, coleções de retratos (Presidentes, Governadores), e um acervo mais moderno, resultado das exposições realizadas na antiga e na atual Galeria Theodoro Braga, nos Salões Paraenses de Artes Plásticas, além de uma coleção com 98 lâminas em aquarela do pintor Manoel Pastana, com motivos marajoaras. Exemplares estes representativos de trajetória das artes plásticas paraenses durante este século.

     Entre outras podemos citar a Coleçoes Carlos Gomes, Waldemar Henrique, Magalhaes Barata, (com objetos pessoais dos citados personagens), e a Coleçao Banco Central, constituída por obras de renomados artistas nacionais como Djanira, Volpi, Marcelo Grassman, etc.

     Com um acervo estimado em 5.000 peças, o Museu do Estado do Pará necessita dar início imediato ao processamento técnico de seu acervo, de modo a garantir sua salvaguarda e a desenvolver, eficientemente, suas atividades e assim atingir seus objetivos e cumprir suas funçoes.

3 - Exposiçoes de caráter permanente:

     Com um acervo eclético, o MEP reúne objetos de categorias, épocas e estilos diversos. O mobiliário remonta em sua maioria do começo do século, armarias do séc. XVIII, luminárias em cristal, imaginária, fragmentos de construçao, pinturas, dentre outros, destacando-se o próprio prédio (1771) e o seu entorno histórico. Estes objetos, atualmente, nao estabelecem por si só um diálogo com o público, necessitando de um ordenamento expositivo fundamentado em critérios museográficos e pesquisa histórica. O MEP pretende, a partir deste projeto, cumprir uma das funçoes básicas dos museus, que é a de pesquisar e expor pedagogicamente seus objetos museais (que só assim passam a atender as suas funçoes como instrumentos comunicadores), a partir de um completo projeto museológico, a ser elaborado por uma equipe interdisciplinar, onde será priorizado o caráter histórico e antropológico do Museu, e o visitante poderá, através de um circuito expositivo, apreender aspectos da Amazônia e do amazônida, desde a chegada dos colonizadores até os dias atuais.

     Para o desenvolvimento de qualquer atividade museológica consistente indispensável se faz a existência de um completo inventário e conseqüente tombamento de acervo. O Museu do Estado do Pará, apesar dos seus 16 anos de existência, não conta com este instrumento. Com um acervo eclético, colecionado ao longo dos anos e sem obedecer a uma política sistemática de aquisição, reúne peças de categorias, épocas e estilos diversos.

     Com um acervo estimado em 5.000 peças, o Museu do Estado do Pará necessita dar início imediato ao processamento técnico de seus bens, de modo a garantir sua salvaguarda e a desenvolver, eficientemente, suas atividades e assim atingir seus objetivos e cumprir suas funções.

     Desnecessário se faz justificar a necessidade de um completo inventário e consequente tombamento de acervo para o desenvolvimento de qualquer atividade museológica consistente. O Museu do Estado do Pará, apesar dos seus 15 anos de existência, não conta com este instrumento.

     Apesar de ter o MEP como uma de suas funções, a de ser legalmente o responsável pela “catalogação e guarda do acervo artístico do Estado”, sendo este um objetivo muito amplo e considerando-se a complexidade da tarefa, este projeto visa em uma primeira etapa proceder o inventário dos bens artísticos móveis de propriedade do Museu. Em um enfoque mais amplo, encontrando-se grande parte do acervo do MEP totalmente disperso, não se poderia trabalhar restritamente ao espaço físico do Palácio Lauro Sodré. O Teatro da Paz, o Memorial Magalhães Barata, o Museu Goeldi, segundo documentos diversos, guardam peças de suas coleções.

     Como obrigatoriamente, para a concretização deste trabalho, se tornará imprescindível o levantamento dos bens de valor artístico existentes nos locais já citados e considerando-se que, para a Secretaria de Estado de Cultura, (a qual se encontram subordinados, com exceção do Museu Goeldi) torna-se conveniente a adoção de um único sistema de inventário, elaborado com bases científicas criteriosas, este será extendido a todo o acervo artístico móvel a ela pertencente.

     Assim, em uma ação conjunta com os outros dois Museus (Imagem e do Som e do Círio) , a equipe do Museu do Estado do Pará dará início a catalogação de seu acervo partindo, posteriormente, em uma segunda etapa, sob sua inteira responsabilidade, para os demais espaços da Secretaria de Cultura.

Principais espaços da Secretaria de Estado de Cultura onde encontram-se depositados bens de valor histórico e/ou artístico:

Espaços museográficos:
 
Etapa 1 MUSEU DO ESTADO DO PARÁ ( MEP )  
Etapa 1 MUSEU DA IMAGEM E DO SOM ( MIS )  
Etapa 1 MUSEU DO CÍRIO / MMB  
Outros espaços:    
Etapa 2 Teatro da Paz  
Etapa 2 Arquivo Público Estadual  
Etapa 2 Galeria Theodoro Braga  
Etapa 2 Biblioteca Pública Arthur Vianna  

A extensão deste inventário para os bens depositados nos demais órgãos e espaços públicos estaduais, na Capital, poderá ser efetivada em uma segunda etapa.

Será adotado como referência para a catalogação deste acervo o livro “Thesaurus - para acervos museológicos”, de autoria das Museólogas Maria Helena Bianchini e Helena Dodd Ferraz.


     Uma das funções básicas da museologia é a de preservar, que engloba as ações de coletar, adquirir, armazenar, conservar e restaurar. Nesta função está implícita a atividade museológica de realização de um completo inventário e conseqüente tombamento do acervo, que se dá pela sistematização de uma completa documentação museológica. Essa documentação consiste em um conjunto de informações sobre o objeto museológico e, ao mesmo tempo, um sistema de recuperação da informação capaz de transformar as coleções dos museus em fontes de informações, de pesquisa científica e objetos de conhecimento. Compreendendo o sentido amplo desta função museológica, iniciamos em 1998 o processamento técnico do acervo existente no Museu do Estado do Pará - MEP, ação ora em processo de expansão aos demais museus do Estado.

     “Cadernos do Acervo” é uma publicação que visa divulgar periodicamente o acervo processado, iniciando pela Coleção Magalhães Barata, acervo integrante do Museu do Estado do Pará - MEP.

     Na primeira parte, este volume apresenta textos da autoria de Geraldo Coelho e Maria Angélica Meira. Contém, ainda os


CRITÉRIOS E MÉTODOS DE SISTEMATIZAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA

 

MARIA ANGÉLICA MEIRA

     A Coleção “Magalhães Barata” no acervo do Museu do Estado do Pará

     O acervo do Museu do Estado do Pará, formado ao longo dos anos a partir de sua criação, em 1983, sem obedecer a nenhuma política sistemática de aquisição, reúne peças de categorias, épocas e estilos diversos.

     O Palácio “Lauro Sodré”, desde a sua inauguração em 1777, até passar a abrigar o Museu do Estado do Pará, em 1994, sempre funcionou como sede do poder público estadual. A mais significativa reforma do prédio realizou-se durante a administração do Governador Augusto Montenegro, no ínicio deste século, que impulsionado pelo dinheiro da borracha, - da qual o Pará era o maior exportador mundial naquela época – imprimiu no Palácio os cânones da “belle èpoque”. Além da decoração dos Salões Nobres, foram adquiridos móveis, luminárias, encomendadas telas – “A conquista do Amazonas, de Antonio Parreiras” – e outros objetos decorativos. Sem nenhuma preocupação a não ser a estética, estas peças, legítimas representantes da importância histórica do Palácio, com a instalação do Museu, passaram para a sua guarda e hoje constituem importante coleção. Aos objetos do próprio Palácio juntaram-se, aos poucos, outros considerados significativos, e que se encontravam distribuídos em diversos órgãos e entidades públicas.

     A este acervo, ao longo dos anos, foram se agregando diversas coleções, como as de Artes Plásticas do Teatro da Paz e da Galeria Theodoro Braga, mantidos pela Secretaria de Cultura. Os documentos e obras de arte anteriormente pertencentes ao Conselho Estadual de Cultura e os acervos pessoais do Maestro Waldemar Henrique e do Gen. Magalhães Barata.


CRITÉRIOS E MÉTODOS DE SISTEMATIZAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA


     Um número composto, registrando o ano de entrada da obra no Museu, sua categoria e sub-categoria, e acrescidas duas letras ao final, caracterizando a Coleção a qual pertence.

     Facilitação na identificação e procedência de cada obra optou-se por agrupar as obras em coleções.